quinta-feira, 1 de junho de 2023

Dia Mundial da Criança

O Dia da Criança foi estabelecido oficialmente em 1950 na sequência do congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres, realizado em 1949, em Paris.

Portugal, à semelhança de vários países, adotou o dia 1 de junho para celebrar o Dia da Criança com o objetivo de sensibilizar para os direitos das crianças e para a necessidade de promover uma melhoria das condições de vida, tendo em vista o seu pleno desenvolvimento.

Por vezes é difícil distinguir este dia, 1 de junho, do dia 20 de novembro, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Criança, dia em que se celebram dois marcos importantes:

20 de novembro, de 1959, foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança ;

Nesse mesmo dia, mas em 1989, foi adotada, também pela Assembleia Geral da ONU, a Convenção dos Direitos da Criança, que Portugal ratificou no dia 21 de setembro de 1990.

Não existe uniformização de data para a celebração dos direitos das crianças, contudo, o seu objetivo será sempre o mais nobre, ou seja, promover os direitos e o bem-estar de todas as crianças, onde quer que estejam.

(in https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-da-crianca)


DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA
PREAMBULO
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, a sua fé nos direitos fundamentais, na dignidade do homem e no valor da pessoa humana…;
(…) Considerando que as Nações Unidas, na Declaração dos Direitos do Homem, proclamaram que todos gozam dos direitos e liberdades nela estabelecidas …;
(…) Considerando que a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade uma protecção e cuidados especiais, nomeadamente de protecção jurídica adequada, tanto antes como depois do nascimento;
Considerando que a necessidade de tal protecção foi proclamada na Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924 e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos do Homem…;
(…) Considerando que a Humanidade deve à criança o melhor que tem para dar, a Assembleia Geral Proclama esta Declaração dos Direitos da Criança com vista a uma infância feliz e ao gozo, para bem da criança e da sociedade, dos direitos e liberdades aqui estabelecidos e com vista a chamar a atenção dos pais, enquanto homens e mulheres, das organizações voluntárias, autoridades locais e Governos nacionais, para o reconhecimento dos direitos e para a necessidade de se empenharem na respectiva aplicação através de medidas legislativas ou outras progressivamente tomadas de acordo com os seguintes princípios:

Princípio 3.º - A criança tem direito desde o nascimento a um nome e a uma nacionalidade.
Princípio 4.º - A criança deve beneficiar da segurança social. Tem direito a crescer e a desenvolver-se com boa saúde; (…)       
A criança tem direito a uma adequada alimentação, habitação, recreio e cuidados médicos.
Princípio 6.º - A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade. Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; (…) A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência.
Princípio 7.º - A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares.
Princípio 8.º - A criança deve, em todas as circunstâncias, ser das primeiras a beneficiar de protecção e socorro.
Princípio 9.º - A criança deve ser protegido contra todas as formas de abandono, crueldade e exploração, e não deverá ser objecto de qualquer tipo de tráfico. 
Princípio 10.º - A criança deve ser protegido contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Dia da Espiga



 

22 de maio - Dia do Autor Português

 


Dia do Autor Português

O Dia do Autor Português comemora-se anualmente a 22 de maio.

Neste dia, são homenageados todos os autores portugueses das diferentes áreas artísticas.

Este dia assinala igualmente o aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores.

Vivemos numa sociedade materialista e individualista, que nem sempre reconhece os seus valores. Os autores, produtores de ideias, muitas vezes não recebem o crédito que merecem.

Foi com o objetivo de homenagear o autor português e destacar a sua importância no desenvolvimento da cultura e do bem-estar da comunidade que, desde 1982, se assinala este dia.

Para celebrar esta efeméride realizam-se, normalmente, várias atividades no país, com destaque para o encontro com os autores portugueses e as iniciativas de promoção e incentivo à leitura realizadas nas bibliotecas escolares.

Todos são convidados a recordar os grandes autores portugueses neste dia ou a conhecer novos autores, desde os talentos emergentes na cena nacional aos talentos mais anónimos.


Uma Nação só Vive porque Pensa

Uma nação só vive porque pensa. Cogitat ergo est. A força e a riqueza não bastam para provar que uma nação vive duma vida que mereça ser glorificada na História - como rijos músculos num corpo e ouro farto numa bolsa não bastam para  que um homem honre em si a Humanidade. Um reino de África, com guerreiros incontáveis nas suas aringas e incontáveis diamantes nas suas colinas, será sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civilização, os civilizados pisam e retalham tão desassombradamente como se sangra e se corta a rês bruta para nutrir o animal pensante. E por outro lado se o Egipto ou Tunis formassem resplandescentes centros de ciências, de literaturas e de artes, e, através de uma serena legião de homens geniais, incessantemente educassem o mundo - nenhuma nação mesmo nesta idade do ferro e de força, ousaria ocupar como um campo maninho e sem dono esses solos augustos donde se elevasse, para tornar as almas melhores, o enxame sublime das ideias e das formas.

Só na verdade o pensamento e a sua criação suprema, a ciência, a literatura, as artes, dão grandeza aos Povos, atraem para eles universal reverência e carinho, e, formando dentro deles o tesouro de verdades e de belezas que o Mundo precisa, os tornam perante o Mundo sacrossantos.

(…) Se uma nação, portanto, só tem a superioridade porque tem pensamento, todo aquele que venha revelar na nossa pátria um novo homem de original pensar concorre patrioticamente para lhe aumentar a única grandeza que a tornará respeitada, a única beleza que a tornará amada; - e é como quem aos seus templos juntasse mais um sacrário ou sobre as suas muralhas erguesse mais um castelo.

(Eça de Queirós, in “A Correspondência de Fradique Mendes”)


segunda-feira, 15 de maio de 2023

Semana do Agrupamento: Expressões Idiomáticas-Mostra II

Exposição preparada e dinamizada pela professora Manuela Albuquerque, da Equipa da Mediateca Escolar,  no âmbito das atividades da Semana do Agrupamento,

segunda-feira, 8 de maio de 2023

9 de maio - Dia da Europa

 


O “Dia da Europa”,
comemorado a 9 de maio, nasceu no Conselho Europeu de Milão, de 28 e 29 de junho de 1985 e foi celebrado pela primeira vez em 1986.

Porquê dia 9 de maio?
Dia 9 de maio de 1950, pelas 16h00, Robert Schuman, o então ministro dos Negócios Estrangeiros de França, apresentou, no Salon de l'Horloge do Quai d'Orsay, em Paris, uma proposta com as bases fundadoras do que é hoje a UE.
Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", baseada numa ideia originalmente lançada por Jean Monnet, destacava os valores de paz, solidariedade, desenvolvimento económico e social, equilíbrio ambiental e regional e incluía a criação de uma instituição europeia supranacional incumbida de gerir as matérias-primas que, nessa altura, constituíam a base do poderio militar: o carvão e o aço.
(in https://eurocid.mne.gov.pt/)
O poema “Europa, sonho futuro!” é uma lição de Liberdade de Adolfo Casais Monteiro. O valor mais importante, aquele que os tiranos negam primeiro, o poeta escreve repetidamente em letra maiúscula nos versos de “Europa”. Poesia violenta contra a violência de uma guerra mundial, palavras a projetarem a visão do humanista e do europeísta convicto em defesa da democracia e de “um lar comum” para as nações devastadas.
A mensagem passou nos microfones da BBC.

Europa, sonho futuro!

Europa, sonho futuro! 

Europa, manhã por vir, 

fronteiras sem cães de guarda

 nações com seu riso franco

abertas de par em par!


Europa sem misérias arrastando seus 

andrajos, virás um dia? Virá o dia

em que renasças purificada?

Serás um dia o lar comum dos que 

nasceram

no teu solo devastado?


Saberás renascer, Fénix, das cinzas

em que arda enfim, falsa grandeza,

a glória que teus povos se sonharam 

– cada um para si te querendo toda?


Europa, sonho futuro,

se algum dia há-de ser! 

Europa que não soubeste 

ouvir do fundo dos tempos 

a voz na treva clamando 

que tua grandeza não era

só do espírito seres pródiga 

se do pão eras avara!

Tua grandeza a fizeram

os que nunca perguntaram

a raça por quem serviam.

Tua glória a ganharam

mãos que livre modelaram

teu corpo livre de algemas 

num sonho sempre a alcançar! 

Europa, ó mundo a criar


Europa, ó sonho por vir 

enquanto à terra não desçam

as vozes que já moldaram

tua figura ideal!

Europa, sonho incriado, 

até ao dia em que desça 

teu espírito sobre as águas!


Europa sem misérias arrastando seus

 andrajos, virás um dia? virá o dia 

em que renasças purificada?


Serás um dia o lar comum dos que nasceram 

no teu solo devastado?

Renascerás, Fénix, das cinzas

do teu corpo dividido?


Europa, tu virás só quando entre nações

o ódio não tiver a última palavra,

ao ódio não guiar a mão avara.

à mão não der alento o cavo som de enterro

dos cofres dirigindo o sangue do rebanho

– e do rebanho morto, enfim, à luz do dia, 

o homem que sonhaste, Europa, seja vida!

                          Adolfo Casais Monteiro   



quinta-feira, 20 de abril de 2023

25 de Abril

      

“A Revolução de 25 de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos,Revolução de Abrilou apenas por25 de Abril,refere-se a um evento da história de Portugal resultante do movimento político e social, ocorrido a 25 de abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático.

(...) Esta ação foi liderada por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), composto na sua maior parte por capitães que tinham participado na Guerra Coloniale que tiveram o apoio de oficiais milicianos.Este movimento surgiu por volta de1973, baseando-se inicialmente em reivindicações corporativistas como a luta pelo prestígio das forças armadas, acabando por atingir o regime político em vigor. “

(in https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução de 25 de Abril de 1974)

 Ora, é costume dizer-se que a poesia é a alma de um povo. Por isso mesmo, é normal associá-la a acontecimentos relevantes da história das nações e dos povos, sucedendo, assim, uma cumplicidade inequívoca, tantas vezes expressa numa relação entre causa e efeito, cuja ordem dostermos é assumida, de forma não determinada, por ambos.

Ora, sendo Portugal é um país de poetas é natural e óbvio que os acontecimentos da sua história estejam plasmados e sejam tantas vezes relevados por esta expressão literária, que é a poesia. Ficam, por isso, dois registos desta relação tão cúmplice referenciada ao acontecimento histórico do 25 de abril.

É urgente o amor.

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos, muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

Eugénio de Andrade


A Cor da Liberdade

 Não hei-de morrer sem saber

  qual a cor da liberdade.


 Eu não posso senão ser

 desta terra em que nasci.

 Embora ao mundo pertença

 e sempre a verdade vença, 

qual será ser livre aqui, 

não hei-de morrer sem saber.


 Trocaram tudo em maldade,

 é quase um crime viver.

 Mas, embora escondam tudo

 e me queiram cego e mudo,

 não hei-de morrer sem saber

 qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena